domingo, 31 de Janeiro de 2010

Os dias que a NASA gostava de retirar do calendário

NASA: Tragédias da Apollo 1, Challenger e Columbia
Aventuras fatais no espaço

Tripulação do Columbia

Por três vezes o azar bateu à porta da NASA e sempre em finais de Janeiro, custando a vida a 17 astronautas, entre os quais quatro mulheres. A euforia do início da conquista espacial, num caso, a rotina dos voos, nos outros dois, foram apontados como os grandes culpados. Muita coisa foi entretanto reequacionada e a exploração espacial tomou novos rumos após estas tragédias.

O primeiro grande acidente da história espacial norte-americana ocorreu a 27 de Janeiro de 1967, quando a tripulação da Apollo 1Virgil Grissom, Ed White e Roger Chaffee – morreu num acidente do módulo de comando durante os testes de pré-lançamento. O que ocorreu de facto foi um curto-circuito no interior da cabina e ainda que a roupa espacial os tenha protegido do fogo, a inalação excessiva de fumo foi fatal.

Como resultado, toda a programação do projecto Apollo foi atrasada em 21 meses e cerca de 1300 alterações foram feitas.

Dezanove anos depois, a tragédia repetia-se, agora com outro tipo de transportadores espaciais – os vaivéns. A 28 de Janeiro de 1986, e 76 segundos após a descolagem no Cabo Canaveral, o vaivém Challenger explodia: a cerca de 14 mil metros de altitude, começaram a sair chamas de um dos foguetes, que se soltou e bateu contra um dos tanques de combustível externos.

Morreram sete astronautas, entre eles Judith Resnick, segunda mulher norte-americana a ir ao espaço, e Christa McAuliffe, escolhida entre 11 400 professores. O relatório final concluiu que uma junta circular que devia selar duas secções do foguete tornou-se quebradiça com o frio e rompeu-se.

O acidente provocou a paralisação dos voos durante 32 meses para fazer revisões que garantissem a segurança, mas 17 anos depois, um segundo vaivém, o Columbia, já no fim da sua missão de 16 dias, na reentrada da atmosfera terrestre, desintegrou-se nos céus do estado norte-americano do Texas, a 1 de Fevereiro de 2003, 16 minutos antes da aterragem, matando mais sete astronautas.

A perda do Columbia foi o resultado de um dano ocorrido durante o lançamento, quando um pedaço da espuma, do tamanho de uma pequena mala, bateu na asa esquerda da aeronave danificando o escudo de protecção térmica, que protege do calor gerado pelo choque com a atmosfera na reentrada.

O estrago permitiu que o ar extremamente aquecido penetrasse no interior da asa, enfraquecendo a sua estrutura e causando a desintegração do Columbia.

quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Notícia sobre risco sísmico no Público

Um sismo forte no Verão fará estragos significativos no Algarve
Por Teresa Firmino

Entre cinco e sete por cento dos edifícios sofreriam danos muito graves. Seriam milhares os desalojados e centenas as vítimas num abalo de 7,5 perto da costa


Num sismo com epicentro no Algarve, em terra, com os mesmos sete graus de magnitude registados no Haiti, quantos edifícios seriam afectados? Embora com incertezas, é possível ter um cenário. "Ficariam afectadas 40 a 50 por cento das unidades hospitalares, escolas, redes eléctricas e de abastecimento de água, entre outras", revelou ontem o coordenador científico de um estudo de risco de sismos e tsunamis no Algarve, Carlos Sousa Oliveira, do Instituto Superior Técnico, na apresentação do trabalho.

Em Portugal há alguns programas informáticos que calculam os danos nos prédios, o número de vítimas e as perdas económicas de um sismo. O mais recente é este do Algarve. A este tipo de programas os especialistas chamam simulador de cenários sísmicos. Neste caso, o simulador engloba todo um mundo de dados recolhidos no Estudo do Risco Sísmico e Tsunamis do Algarve, entre 2006 e 2009, coordenado pela Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) e que envolveu nove instituições científicas.

Estão lá as falhas geológicas que podem gerar sismos no Algarve (no mar e em terra); o catálogo dos sismos históricos; os vários tipos de solo e a forma como amplificam as ondas sísmicas; os tipos de construção dos edifícios residenciais; as escolas, os hospitais e centros de saúde; as diversas redes (rodoviária, ferroviária, eléctrica, abastecimento de água ou comunicações); ou o número de pessoas presentes.

Ontem, na Universidade do Algarve, o director nacional de Planeamento e Emergência da ANPC, José Oliveira, apresentou um exemplo do que o simulador pode fazer. Escolheu um hipotético sismo de magnitude 7,5 na escala de Richter (já elevada), com epicentro 68 quilómetros a sudoeste de Faro (já perto da costa), num dia 15 de Agosto, ao meio-dia. Portanto, no mês que é o pico da afluência de pessoas na região (população oscila entre 420 mil no Inverno e 1,5 milhões no Verão) e a uma hora com muita gente na praia.

Em cinco a dez minutos, o simulador faz os cálculos. Surgem depois no ecrã de um normal computador, localizado apenas na ANPC na zona de Lisboa e no seu Comando Distrital de Operações de Socorro em Faro, diversos mapas.

No hipotético sismo de 7,5, os mapas mostram onde se localizariam os danos humanos, que traduzem a incerteza destes métodos numa grande amplitude: mortos entre 33 e 1007; feridos entre 254 e 593; desalojados entre 8690 e 13.234. Ou os danos nos edifícios: totais (1,2 a 1,5 por cento), severos (4,5 a 6,1) e ligeiros (20,3 a 35,9). No mapa são ainda evidenciadas as zonas de edifícios sem danos, dos que ficariam com uso condicionado e dos inutilizáveis. Noutro mapa vêem-se os danos no fornecimento de energia.


O que inundaria um tsunami

Se este sismo não passou de exercício, o certo é que o simulador já foi posto à prova - na madrugada de 17 de Dezembro último, quando se registou em Portugal continental um abalo de magnitude seis, 100 quilómetros a sudoeste do Cabo de São Vicente.

Uma hora depois, a ANPC corria o novo simulador com a magnitude e o epicentro do sismo a sério. "Verificámos que não havia danos expectáveis no Algarve. Foi uma situação real que testámos, e bateu certíssimo", conta-nos Patrícia Pires, da ANPC.

Outro dos cenários incluídos no simulador do Algarve é o de um tsunami. A equipa de Miguel Miranda, do Centro de Geofísica da Universidade de Lisboa, simulou as áreas afectadas por uma onda gigante provocada por um sismo de 8,3 de magnitude (com quatro possíveis origens no mar, tendo em conta as várias localizações sugeridas para o terramoto de 1755). "Fizemos cartas de inundação para um conjunto de sítios no Algarve. A inundação é significativa em muitas zonas, com cotas baixas", diz Miguel Miranda. "Aquelas onde há confluência entre os pequenos rios algarvios e o litoral são particularmente vulneráveis." Armação de Pêra é uma das piores zonas. Ontem, a apresentação de uma carta de inundação por um tsunami na zona de Quarteira e Vilamoura permitiu ter ideia de como o mar avançaria terra adentro.

Mas o cenário do sismo de 1755 não fez parte dos exemplos, embora conste no menu do simulador. "Num sismo como o de 1755 em Agosto, à tarde, o simulador dá-nos valores absolutamente impressionantes de mortos, feridos e danos. É qualquer coisa de muito grave. É uma situação calamitosa e o simulador mostra isso", diz-nos Carlos Sousa Oliveira. "Acima de determinados níveis, a resposta é muito difícil. Há o efeito de dominó: se não tivermos electricidade, não temos água, não podemos apagar incêndios..." A probabilidade de um sismo desses, acrescenta, é muito baixa.

Os números destas simulações é o tipo de informação que todos têm relutância em divulgar, sobretudo quando se trata de simular o sismo de 1755, um dos maiores de que há memória na Terra, com 8,5 a 9 de magnitude. Porquê? Não querem alarmar a população e as estimativas em relação às vítimas têm grande incerteza. "Temos muitas dúvidas nessas estimativas", frisa Alfredo Campos Costa, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que também participou na criação do simulador. "Há três modelos matemáticos de perdas de vidas humanas e esses modelos dão diferenças de duas ordens de grandeza. Se um dá dez, o outro dá mil", acrescenta este especialista em engenharia sísmica.

Estas estimativas são difíceis, pois é preciso introduzir muitas variáveis - por exemplo, o que mata não são os sismos, são os edifícios, e essa correlação é complexa. Também Patrícia Pires refere as limitações: "Não podemos tomar os números como verdade absoluta do que vai acontecer. Se o simulador diz 301 mortos, é uma aproximação."

Se as simulações têm estas limitações, para que servem? Dão uma ideia genérica do que pode ocorrer e, com essa informação, preparar planos de emergência e medidas de reforço anti-sísmico das construções. E logo após um sismo, como o de Dezembro, ajudam a traçar um primeiro retrato dos impactos e a decidir para onde enviar socorro. "Temos, quase em tempo real, a perspectiva geral do que pode ter ocorrido, o que apoia a decisão nas primeiras horas e orienta as equipas no terreno", diz Patrícia Pires.


in Público - ler notícia

terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Olimpíadas do Ambiente - fotos


sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

XV Olimpíadas do Ambiente


A nossa Escola vai participar, no dia 14 de Janeiro, na 1ª eliminatória. Esta realiza-se na Sala Multiusos, entre as 14.30 e as 15.15 horas. Para saberes mais e te prepares, podes consultar:


NOTA: as inscrições terminaram hoje, mas os interessados ainda podem inscrever-se na segunda feira...

quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

Galileu descobriu os satélites de Júpiter há 400 anos!

Post conjunto com o Blog AstroLeiria:

Faz hoje 400 anos que Galileu Galilei se lembrou de apontar a sua fraca luneta para Júpiter e descobrir 3 (mais tarde quatro...) pequenas estrelinhas próximas - tinha descoberto os satélites ditos de Galileu.



Para ajudar, coloquei em cima facsimile do registo original (em cima e em italiano) do grande cientista e ainda uma foto actual, feita por uma sonda espacial, dos quatro satélites por si descobertos (em baixo, da esquerda para a direita, respectivamente - Io, Europa, Ganimedes e Calisto):

Curiosamente, embora fosse Galileu o autor da descoberta, não foi ele quem lhes deu o nome - a escolha deve-se a um obscuro astrónomo alemão...

quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

Flash mob da TAP e ANA




Uma imagem da Nebulosa de Orion

Post roubado ao Blog De Rerum Natura:

PORTUGUÊS VENCE CONCURSO MUNDIAL COM FOTOGRAFIA DE UM BERÇO DE ESTRELAS



Uma imagem da Nebulosa de Orion (ao lado), que está entre 1300 a 1500 anos-luz da Terra e é conhecida por ser uma zona próspera na criação de estrelas, valeu ao engenheiro electrotécnico Luís Miguel Santo, de 34 anos, o primeiro prémio do concurso mundial de astrofotografia das Galilean Nights, um dos projectos-chave do Ano Internacional da Astronomia.

A fotografia, captada em finais de Outubro na Atalaia (Montijo), venceu a competição Beyond Earth (Para além da Terra), que reuniu imagens do Universo captadas por todo o globo. Os participantes foram desafiados a obter imagens dos objectos astronómicos estudados por Galileu Galilei, o cientista que há 400 anos protagonizou as primeiras observações do céu realizadas através de um telescópio.

"O objecto que Galileu observou e que escolhi foi a nebulosa de Orion, também conhecida como o objecto de Messier 42 (M42) e que está enquadrada com outra nebulosa (NGC1977), denominada na gíria Running Man (olhando na zona azul, e com alguma imaginação, vemos um indivíduo a correr, tal como o nome em inglês sugere). Existe ainda uma zona de concentração de estrelas denominada trapézio, pela sua disposição, que foi objecto de estudo de Galileu", explica Luís Miguel Santo.

"A Nebulosa de Orion (zona avermelhada em baixo na fotografia), pertence à constelação de Orion, e é denominada uma nebulosa de emissão (nuvem de gás ionizado que emite luz de várias cores) dada a presença, entre outros, de enormes quantidades de hidrogénio, a principal matéria-prima das estrelas. É uma zona conhecida como profícua na criação de estrelas. A nebulosa NGC1977 é uma nebulosa de reflexão; nuvens de poeira que simplesmente reflectem a luz de uma ou mais estrelas vizinhas, e como tal apresenta uma coloração azulada", revela o astrónomo amador.

Luís Miguel Santo foi um dos numerosos entusiastas que participaram em Portugal nas Noites de Galileu, entre 22 a 24 de Outubro de 2009. No total, 18 cidades desenvolveram perto de 50 actividades muito espaciais, transformando, uma vez mais, o país num dos mais dinâmicos.

Para o engenheiro electrotécnico, o prémio foi uma cereja no topo do bolo uma vez que captar uma fotografia dos astros para além da Terra não é fácil requerendo uma árdua aprendizagem. "O ritual de preparação e obtenção de uma astrofotografia tem algo que se lhe diga. Começa por preparar de antemão os objectos a fotografar, bem como definir os principais parâmetros de exposição, enquadramento, e montar o equipamento... Uma sessão normal inicia-se pelas 22h e pode terminar quando a estrela mais perto da terra dá a volta", frisa.

Ao contrário da fotografia tradicional, cada imagem em astrofotografia é composta por vários fotogramas (podendo durar tipicamente até 15 minutos por fotograma), incluindo a cor que tipicamente é obtida através de filtros distintos para o vermelho, o verde e o azul. Posteriormente, toda a informação contida nos diferentes fotogramas (luz e cor) é alinhada e calibrada de forma a obter apenas uma imagem a cores de maior detalhe, explica Luís Miguel Santo.

"A Astronomia é para mim um desafio que reúne duas paixões: fotografia e ciência. A Astronomia... tem um pouco de filosofia e é um exemplo importante na eterna procura do conhecimento, em especial o de olhar o Universo, cada vez mais longe, para perceber algo bem próximo... a própria Humanidade e a sua história", sublinha.

A imagem está aqui.

sábado, 2 de Janeiro de 2010

Vulcanismo no rift africano e ecologia

Erupção no Congo perto de refúgio de gorilas de montanha
02.01.2010

Um vulcão entrou em erupção no Parque Natural de Virunga, no Congo, local onde se refugiam cerca de 200 dos últimos 720 gorilas de montanha do mundo.

Segundo Feller Lutahichirwa, director do parque citado pela Associated Press, o vulcão Nyamulagira terá começado a expelir lava durante esta madrugada.


A área afectada não tem praticamente quaisquer habitantes, mas a situação "causa grande preocupação", pelo que já foram enviados para o local alguns guardas florestais, que monitorizarão as correntes de lava. Segundo Lutahichirwa, na área afectada até ao momento não existirão muitos gorilas de montanha.

quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009

Observação do Eclipse

Post em estereofonia com o Blog AstroLeiria:


(Clicar para aumentar - fonte Espenak/NASA)

Para quem esteja em Leiria, pode vir ter connosco até à Travessa da Rua das Olhalvas, como referimos em post anterior, bastando um e-mail (fernando.oliveira.martins@gmail.com) ou telefonema (960 081 251), isto o tempo (e S. Pedro) o permitir...

Para os restantes, há a hipótese de irem olhando para o céu, a ver se vêem a Lua. Este astro nasce à hora do pôr do Sol (cerca das 17.15 horas) e o nosso satélite levanta-se do horizonte no momento em que entra na penumbra (uma sombra difusa, difícil de observar...). Às 18.52 horas a Lua entra na sombra (aquilo a que os astrónomos chamam de umbra...) e, se olharem para a parte de baixo da Lua (Polo Sul) vêem essa mesma sombra, durante uma hora e dois minutos (sai da umbra às 19.54 horas). No seu ponto máximo (19.23 horas) somente cerca de 8% da Lua estará debaixo da sombra da Terra. O final do eclipse é às 21.30 horas, mas, depois das 19.54 horas, não há nada para ver...

Lua azul

Post em estereofonia com o Blog AstroLeiria:

Hoje é dia de eclipse e de Lua azul! Esta última expressão refere-se ao facto de haver duas luas cheias nesse mês (pois, em Dezembro de 2009, houve Lua Cheia a 2 de Dezembro e há novamente a 31 de Dezembro...).

Recordemos este raro evento (ainda mais raro porque associado a um eclipse...) com uma curiosa música de Amália Rodrigues:


quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

Observação do Eclipse parcial da Lua de amanhã

Post conjunto com o Blog AstroLeiria:

Amanhã há um Eclipse parcial da Lua visível em Portugal a horas decentes! Se o bom tempo o permitir e houver interessados, observaremos o fenómeno na Travessa da Rua das Olhalvas, em Leiria, junto ao Café Olhalvas - ver localização no seguinte mapa interactivo:


Ver mapa maior

Para quem quer saber mais sobre o assunto, sugere-se a visita à página da NASA de Fred Espenak sobre Eclipses:

Eis ainda um texto com os principais dados científicos do eclipse, feito pelo Observatório Astronómico de Lisboa:
A noite de 31 de Dezembro oferece o último evento astronómico do ano, o eclipse parcial da Lua. Só nos resta esperar boas condições meteorológicas para poder presenciar este belo espectáculo e findar o ano em grande.

As efemérides do Eclipse parcial da Lua, em 31 de Dezembro, para Lisboa, são:

17.15 - A Lua entra na penumbra

18.52 - A Lua entra na umbra

19:23 - Meio do eclipse

19.54 - A Lua sai da umbra

21.30 - A Lua sai da penumbra

Grandeza do eclipse = 0,082 (considerando o diâmetro da Lua como unidade)

Será um eclipse "quase" penumbral, pois a Lua atravessa o cone de sombra da Terra quase tangencialmente.

Será visto na Europa, na África, na Ásia, na parte extrema da Austrália Ocidental e no oceano Índico.

Eclipse parcial da Lua é um fenómeno celeste que ocorre quando a Lua penetra, parcialmente, no cone de sombra projectado pela Terra. Isto acontece sempre que o Sol, a Terra e a Lua se encontram próximos ou em perfeito alinhamento, estando a Terra no meio destes outros dois corpos. O eclipse parcial da Lua só pode ocorrer quando coincide com a fase de Lua cheia e a passagem dela pelo seu nodo orbital.

Energias renováveis ou conservação da natureza?



Gralhas e morcegos inviabilizam investimento de 100 milhões de euros
Ministério do Ambiente chumba parque eólico no PNSAC


Projecto previa a instalação de 42 aerogeradores

O Parque Eólico de S. Bento, que previa a instalação de 42 aerogeradores nos concelhos de Alcobaça, Porto de Mós e Santarém, foi chumbado pelo Ministério do Ambiente, que considera que o projecto “não é compatível com os objectivos de conservação da natureza” da zona, inserida no Parque Natural das Serras de Aires e Candeeiros (PNSAC). Cai assim por terra um investimento na ordem dos 100 milhões de euros, que o consórcio Ventivest pretendia fazer naquela área protegida.

A Declaração de Impacto Ambiental, assinada pela ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, aponta como principais impactos negativos do projecto a “destruição e perturbação” de habitats prioritários, “com especial destaque para a afectação de três algares ocupados por gralhas-de-bico-vermelho”, uma espécie considerada em perigo, e de áreas de nidificação de aves de rapina e de “grande actividade de morcegos”.

A destruição de estruturas cársicas, os impactos directos e indirectos em vários elementos patrimoniais como o Arco da Memória (monumento em vias de classificação), os aumentos dos níveis sonoros, com o “incumprimento do critério de incomodidade”, e os impactos visuais dos 42 aerogeradores na paisagem são outros dos motivos que levaram o Ministério do Ambiente a indeferir o projecto. A tutela alega ainda que a instalação do parque eólico afectaria várias espécies de plantas raras e árvores protegidas legalmente, como sobreiros e azinheiras.

Por tudo isso, o ministério entende que a construção do parque eólico “acarreta impactos negativos muito significativos sobre o território, sobre a sua integridade ecológica e patrimonial não desprezíveis nem minimizáveis”. Esse é também o entendimento das associações ambientalistas Oikos, Liga para a Protecção da Natureza e GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, que, durante o período de discussão pública, entregaram um parecer conjunto opondo-se ao projecto, por considerarem que ele põe “em risco muitos dos valores para cuja protecção foram criados o PNSAC e a Rede Natura 2000”.

António Sá da Costa, administrador da Ventinvest Eólica, diz que a empresa “foi desagradavelmente surpreendida pelo ´chumbo´ do Parque Eólico de S. Bento” e que “está ainda a analisar as consequências desta situação”.

|Reacções|

A não aprovação do parque é uma medida de bom senso, porque iria incidir numa área sensível do parque natural, com espécies protegidas e ameaçadas. Não somos [Quercus] contra os parques eólicos, mas estes não podem ser feitos em qualquer local, escolhendo as áreas mais sensíveis do ponto de vista ambiental. Os promotores têm de procurar alternativas.
Domingos Patacho, presidente da Direcção do Núcleo do Ribatejo e Estremadura da Quercus

Já pedi uma reunião com a senhora ministra do Ambiente para lhe manifestar a minha preocupação. Não concordo com a decisão nem aceito que me digam que aquela é uma zona de protecção da natureza, porque já foi toda remexida por causa das pedreiras. Por isso mesmo, será, dentro do PNSAC, a zona onde um parque eólico produz menos impactos.
João Salgueiro, presidente da Câmara de Porto de Mós

in Jornal de Leiria - edição de 24.12.2009 (textos: Maria Anabela Silva)

sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009

O nosso Poema de Natal

Como sempre, a minha Mãe e o meu Pai mandam as Boas Festas aos amigos em carta, sempre com poema inédito e que o nosso Blog gosta de partilhar com os seus leitores. Este ano, para celebrar a chegada de uma Senhora dos Caminhos que se veio abeirar de uma Avenida nova da minha terra (Vila Franca das Naves), aqui fica o nosso poema de Natal...

Nossa Senhora dos Caminhos

Tenho que confessar o meu pecado:
- Roubei a mãe ao Menino Jesus!...
(Ele já nem pequenino é,
e fica muito bem com S. José.)

....Fugi com Ela debaixo do braço
....e, a arfar de cansaço,
....pu-lA num pedestal de granito
...........bem bonito,
....à beira da avenida,
....presa com pedra e cal,
....p'ra ninguém ma roubar...

...Mas {há sempre um mas...}
o Natal aproximou-se,
o Menino volta ser pequenino
......e faz beicinho,
a chamar pela Mãe,
e a dizer que não tem ninguém...

....S. José bem O consola:
....- Deixa lá, meu Amor...
....porém Ele
....chora...chora...chora...

Então Deus-Pai,
que tudo vê
e tudo pode,
prestes acode
e desce, na Sua Majestade!

....- Ouve, Meu Filho,
....não chores mais.
....Ora vê: aqui tens A do Céu,
....a verdadeira,
....a Tua Mãe,
....a de Belém.

O Menino já não chora...
......ri...ri...ri...
numa gargalhada feliz e doirada,
e dorme descansadinho,
abraçado a Ela,
uma soneca abençoada!

....{Se Deus Pai
....não viesse do Céu,
....que remédio tinha eu
....se não dar-Lhe a minha,
....a tal que eu furtei.}

... E foi assim que eu levantei do chão
mais um sonho de menina;
e ganhei
a minha Nossa Senhora dos Caminhos.

........E é Ela
........que, neste Natal,
........vem comigo,
........num abraço sentido,
........trazer-vos muito Amor
........e Carinho

.....................da
........................MariAlice
.....................e do
........................Agostinho

~ Natal de 2009 ~

segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Uma estranha estrutura geológica açoriana

Robô submarino Luso mergulha na zona em 2010
"Ovo estrelado" a sul dos Açores pode ser a cratera de um meteorito

A estrutura geológica (à esquerda) tem dois quilómetros de mar por cima

Parece mesmo um ovo estrelado, com as formas da gema no meio e da clara à volta, pelo que quem a viu pela primeira vez lembrou-se logo de lhe dar esse nome. Só que este é um "ovo estrelado" geológico, uma estrutura bem grande, estampada no fundo do mar, 150 quilómetros a sul dos Açores, que está a causar perplexidade entre os cientistas portugueses - e não só, pois acaba de ser apresentada na reunião anual da União Geofísica Americana, em São Francisco.

A história desta descoberta leva-nos a um cruzeiro científico, no ano passado, realizado pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC). Nos trabalhos para reivindicar que a plataforma continental portuguesa se estende para lá das 200 milhas náuticas, dando direito ao país de explorar os recursos no solo e subsolo marinhos, uma das coisas que este grupo técnico-científico fez foram levantamentos da morfologia do fundo do mar (através de uma sonda com múltiplos feixes sonoros).

Com esses dados, construíram-se depois mapas de grande resolução do relevo marinho. Mas só em meados deste ano, depois de Portugal ter entregado em Maio a sua proposta de extensão da plataforma nas Nações Unidas, é que os investigadores da EMEPC foram olhar com outros fins científicos para os dados que recolheram nas campanhas oceanográficas. Foi então que se depararam com o "ovo estrelado", dois quilómetros abaixo da superfície do mar.

As imagens revelavam uma estrutura relativamente circular com seis quilómetros de diâmetro e, no centro, surgia uma elevação, como se fosse a gema, com três quilómetros de diâmetro. A parte da "clara" deste ovo geológico encontra-se 110 metros abaixo do fundo do mar circundante. Já da base da clara até ao topo da gema são cerca de 300 metros.

A hipótese do meteorito...

No início de Outubro último, a equipa da EMEPC regressou ao local para confirmar a descoberta e, se as condições do mar deixassem, mergulhar no local com o robô submarino português, o Luso. O mar não deixou, pelo que o mergulho com este veículo tripulado à distância, a partir do navio, ficou adiado até 2010. Nessa altura, ideia é que o robô traga do "ovo estrelado" pedaços de rochas e amostras de sedimentos, para que possam desvendar-se todos os seus mistérios. E eles são muitos, a começar pela origem.

Existem três possibilidades para a sua formação, diz o engenheiro hidrógrafo e oceanógrafo físico Manuel Pinto de Abreu, o responsável pela EMEPC, que se encontra em São Francisco. Ou é uma cratera formada pelo impacto de um meteorito. Ou um vulcão de lama, formações que, em vez de lava, expelem sedimentos finos carregados de metano, como as que existem no golfo de Cádis. "Ou é uma coisa completamente diferente", resume Pinto de Abreu.

Em relação à hipótese do meteorito, a estrutura apresenta algumas características que se coadunam com a colisão de um corpo cósmico com a Terra: por exemplo, é comum a existência de um empolamento no centro das crateras de impacto. A confirmar-se mesmo como cratera - por exemplo, através da presença de vidros devido a um violento impacto na crosta terrestre -, não deverá ter mais de 17 milhões de anos, uma vez que essa é a idade atribuída ao fundo do mar naquela zona. A camada de sedimentos em cima do cume poderá também dar uma ideia de há quanto tempo ocorreu o impacto.

Encontrar vestígios, em sedimentos na costa, de um tsunami que a queda de um objecto destes no mar teria de causar é outra forma de ajudar a deslindar o mistério.

Para já, a equipa portuguesa está a fazer simulações matemáticas para testar a ideia do impacto. Que tamanho teria de ter o meteorito para causar a cratera e o empolamento central é uma das questões para que procuram resposta.

... e a do vulcão de lama

No entanto, não só as dimensões da gema geológica são muito grandes, como ela tem uma forma muito suave para ter resultado da colisão de um meteorito, por isso há quem não se incline para esta possibilidade e fale de um vulcão de lama.

O problema é que os vulcões de lama encontrados até agora não se formaram em regiões com o contexto geológico em que se localiza o"ovo estrelado". Primeiro, explica Pinto de Abreu, porque a camada de sedimentos dessa área é pouco espessa para fazer a retenção dos fluidos vindos do interior da Terra, como é o caso do gás metano dos vulcões de lama. Segundo, porque naquela região não se conhece a existência de compressão entre placas tectónicas. No golfo de Cádis, é precisamente essa compressão (entre a placa africana com a euroasiática) que força o metano em profundidade a ser expelido para a superfície.

Os vulcões de lama têm despertado muito interesse, pois, por causa do metano, são vistos como uma possível fonte energética alternativa. Se for um vulcão de lama, então o "ovo estrelado" representará uma nova classe destas formações geológicas.

Para adensar mais o enigma, descobriu-se uma outra estrutura geológica, semelhante mas mais pequena, a uns três ou quatro quilómetros de distância: esse ovinho geológico é a elevação que, na imagem aqui publicada, se encontra do lado direito.

A apresentação da descoberta, num poster na maior reunião mundial de investigadores das ciências da Terra, abriu o debate à comunidade científica internacional. Os cientistas portugueses puderam trocar impressões com colegas estrangeiros, e as opiniões dividiram-se entre a cratera de impacto e o vulcão de lama. "Não há nada semelhante conhecido", sublinha Pinto de Abreu.

Notícia sobre filmagem de erupção subaquática

Erupção de vulcão submarino é capturada por submarino-robô

A erupção foi uma das mais profundas já filmadas

Um vídeo filmado por um submarino-robô no fundo do Oceano Pacífico mostra a mais profunda erupção de um vulcão submarino já registada.

As imagens mostram lava explodindo na água no vulcão submarino de West Mata, que fica a uma profundidade de cerca 1.200 metros, localizado cerca de 200 quilómetros ao sudoeste do arquipélago de Samoa.

O robô submarino Jason desceu 1.100 metros para conseguir filmar o vídeo de alta definição.

O submarino ainda encontrou micróbios e uma espécie de camarão vivendo nas águas quentes e ácidas em torno do vulcão.

“É um ambiente extraordinário”, disse Joseph Resing, um oceanógrafo químico da Universidade de Washington e do Joint Institute for the Study of the Atmosphere and Ocean em Seattle, nos Estados Unidos.

“Você tem lava derretendo a 1.400º C produzindo fluidos acetosos – o dióxido de enxofre deixa esses fluidos com o ph1.4, extremamente ácido, e ainda assim os micróbios e camarões estão florescendo”, disse ele à BBC.

“Os gases magmáticos sustentam e fornecem energia para a vida microbial, e os micróbios fornecem energia para os camarões.”

“A gente vê os animais muito perto do vulcão – a metros.”

Placas tectónicas

Camarões dependem das bactérias que vivem na boca do vulcão

Resing descreveu o comportamento do vulcão na Reunião de Outono da União Geofísica Americana em San Francisco, Estados Unidos, a maior reunião anual de cientistas especializados em geofísica.

O vulcão submarino de West Mata fica localizado bem perto da fossa de Tonga-Kermadec, com 10 mil metros de profundidade. O local é onde a placa tectónica do Pacífico – que inclui a maior parte do solo central deste oceano – entra por baixo da placa tectónica australiana.

É um local chave para a reciclagem de rochas de volta para o centro da Terra e é onde o material derretido pode forçar seu caminho de volta à superfície.

A possível existência da erupção foi identificada pela primeira vez em Novembro de 2008 através de amostras de água colectadas no oceano, que continham níveis anormais de hidrogénio e detritos vulcânicos.

Mas os cientistas só tiveram a noção real da descoberta quando o submarino Jason foi enviado para investigar West Mata.

Jason, que é operado pela Woods Hole Oceonagraphic Institution (WHOI), chegou a três metros de distância do vulcão em erupção.

A câmara de alta definição do submarino capturou bolhas de lava derretida a um metro de distância estourando na água do mar e filmou o vulcão ejectando lava para o mar.

Acredita-se que tenha sido a primeira vez que se observou de tão perto um vulcão expelindo lava no fundo do oceano.

quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

O sismo de 17.12.2009 nas notícias televisivas
























O sismo de 17.12.2009 na imprensa escrita diária

Público:

Correio da Manhã:

Jornal de Notícias:

Mais imagens do sismo de 17.12.2009

Sismogramas de Geofones (de Manteigas, Évora e Melilla):





Mapa do epicentro (do Programa Geofones):


Sismogramas do Instituto Geofísico do Infante D. Luís - Universidade de Lisboa:

Sismo em Portugal continental


Hoje, na madrugada do dia 17.12.2009, pelas 01.37 horas, no ponto com latitude 36,52ºe longitude -9,92º (entre o Cabo de S. Vicente e o Banco de Gorringe) ocorreu um sismo cujo hipocentro se situou a 31 quilómetros de profundidade.

Com uma magnitude de 6,0 na Escala de Richter, segundo o Instituto de Meteorologia (IM - Portugal) instituição que informa no seu site que o seu epicentro foi a SW do Cabo S. Vicente, que teve intensidade V (Escala de Mercalli) na zona de Lagos.

No mesmo site estão referidas diversas réplicas, todas com magnitude inferior a 3,0 na antes citada Escala de Richter.

Sugestões LIDL de prendas de Natal

A LIDL, essa cadeia low cost alemã de supermercados que enxameia o nosso país, tem destas coisas todos os anos, por altura do Natal - propostas de prendas a baixo custo para aprendizes de cientistas...

Este ano a coisa não se alterou - há uma carrada de propostas, de excelente preço e óptima qualidade, que os interessados poderão adquirir a partir de 21.12.2009, a saber:


Microscópio Escolar


  • 3 objectivas rotativas de elevada qualidade (4x, 10x e 40x);
  • Lente de Barlow e 2 oculares de ângulo de visão largo (5x/16x);
  • Iluminação LED de luz incidente e transmitida, ambas através de corrente eléctrica;
  • Ampliação: 20-1280x;
  • Ocular para ligação ao PC através de USB e software;
  • Inclui mala e uma vasta gama de preparados e instrumentos;
  • 59 euros (-14% - valor anterior 69 euros);
  • Disponível em todo o país a partir de 21.12.2009.


Binóculo
Rocktrail

  • Objectiva 50 mm;
  • Regulação dióptrica;
  • Inclui: rosca de ligação a 1 tripé (não incluido);
  • Reprodução de imagem clara e de grande contraste através dos prismas Bak 4;
  • Mecanismo central anti-derrapante para uma focagem simples e precisa;
  • Oculares LE com borrachas de protecção, ideal para utilizadores de óculos;
  • 10 x ampliação;
  • 50 x zoom óptico;
  • Acessórios:
    • mala de transporte com alça e presilha para cinto,
    • fita para uso ao pescoço,
    • pano de limpeza.
  • 19,99 euros;
  • Disponível em todo o país a partir de 21.12.2009.


Binóculo Bresser

  • Objectivas de 60 mm;
  • Campo de visão de 52 m/ 1000 m;
  • Ampliação 10-30x;
  • Reprodução de imagem clara e de grande contraste;
  • 19,99 euros;
  • Disponível em todo o país a partir de 21.12.2009.

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Festa da Astronomia das Escolas de Leiria - fotos (III)

Modelo do Sistema Solar (à escala) do Jardim Escola João de Deus de Leiria - apresentação:












Nota - post estereofónico com o Blog AstroLeiria.

Festa da Astronomia das Escolas de Leiria - fotos (II)

Modelo Sol-Terra-Lua do Jardim Escola João de Deus de Leiria:




Parte exterior do Bar dos Pais e Encarregados de educação do 6º A:


Atelier de construção de modelos de constelações - professor Paulo Simões:



Nota - post estereofónico com o Blog AstroLeiria.

Festa da Astronomia das Escolas de Leiria - as fotos

Apresentação do livro "O Mistério da Estrelinha Curiosa" pela autora (Leonor Lourenço):








Nota - post estereofónico com o Blog AstroLeiria.

Festa da Astronomia das Escolas de Leiria - resenha final da actividade

No passado dia 21 de Novembro de 2009 decorreu, na Escola Básica Dr. Correia Mateus, em Leiria, a Festa da Astronomia das Escolas de Leiria, inserida nas actividades da Semana da Ciência e Tecnologia 2009 e do Ano Internacional da Astronomia. Organizada pelo Núcleo de Astronomia Galileu Galileu, pelos Blogues AstroLeiria e Geopedrados (entre outros...) e pelos professores dos Sub-Departamentos de Ciências Naturais da Escola Correia Mateus, teve a participação de diversos pais e encarregados de educação, alunos, professores da nossa Escola (e de outras do seu Agrupamento) e de muitas outras Escolas.

À parte o facto de não ter tido observação astronómica (o céu esteve nublado...) tudo correu de feição: o bar dos pais do 6º A (em recolha de fundos para irem num intercâmbio de turmas aos Açores...!) era excelente, o modelo à escala, com um Júpiter de 1,5 metros diâmetro equatorial, dos planetas do sistema solar, feito pelos alunos e professores do Jardim Escola João de Deus de Leiria, estava um mimo, o Atelier de construção de modelos de constelações (feito pelo professor Paulo Simões) foi um sucesso, a apresentação do livro infantil “O Mistério da Estrelinha Curiosa” (feito pela autora, a educadora Leonor Lourenço) deixou-nos boquiabertos e até o modesto contributo deste vosso amigo não deslustrou (mostrei duas apresentações multimédia, uma ficheiro html sobre tempo de vida e aniversários noutros planetas, expliquei o céu nocturno com o programa SkyMap Pro 11 e ainda mostrei como usar este último programa).

Mas, sem dúvida, o ex-libris da nossa Festa foi o modelo mecânico Sol-Terra-Lua, feito por alunos, pais e encarregados de educação, funcionários e professores do Jardim Escola João de Deus de Leiria - estava um portento! Quem pode colocar-se na bicicleta que o movia ou pode ver a girar ficou desejoso de repetir a experiência - assim era fácil perceber os eclipses, as fases da lua ou mesmo as estações.

Aos muitos participantes que não se deixaram enganar pela chuva, os nossos agradecimentos - aos outros, a promessa de repetir o evento noutra data...!

Só para aguçar o apetite, os próximos posts terão umas fotos da actividade...

sábado, 28 de Novembro de 2009

Tertúlia da SCT 2009 - final

Rómulo Vasco da Gama de Carvalho/António Gedeão
(Lisboa, 24.11.1906 - Lisboa, 17.02.1997)

(Caricatura in Blog Desenhos do Rui)

Filho de um funcionário dos correios e telégrafos e de uma dona de casa, Rómulo Vasco da Gama de Carvalho nasceu a 24 de Novembro de 1906 na lisboeta freguesia da Sé. Aí cresceu, juntamente com as irmãs, numa casa modesta da rua do Arco do Limoeiro (hoje rua Augusto Rosa), no seio de um ambiente familiar tranquilo, profundamente marcado pela figura materna, cuja influência foi decisiva para a sua vida.

Na verdade, a sua mãe, apesar de contar somente com a instrução primária, tinha como grande paixão a literatura, sentimento que transmitiu ao filho Rómulo, assim baptizado em honra do protagonista de um drama lido num folhetim de jornal. Responsável por uma certa atmosfera literária que se vivia em sua casa, é ela que, através dos livros comprados em fascículos, vendidos semanalmente pelas casas, ou, mais tarde, requisitados nas livrarias Portugália ou Morais, inicia o filho na arte das palavras. Desta forma Rómulo toma contacto com os mestres - Camões, Eça, Camilo e Cesário Verde, o preferido - e conhece As Mil e Uma Noites, obra que viria a considerar uma da suas bíblias.

Criança precoce, aos 5 anos escreve os primeiros poemas e aos 10 decide completar "Os Lusíadas" de Camões. No entanto, a par desta inclinação flagrante para as letras, quando, ao entrar para o liceu Gil Vicente, toma pela primeira vez contacto com as ciências, desperta nele um novo interesse, que se vai intensificando com o passar dos anos e se torna predominante no seu último ano de liceu.

Este factor será decisivo para a escolha do caminho a tomar no ano seguinte, aquando da entrada na Universidade, pois, embora a literatura o tenha acompanhado durante toda a sua vida, não se mostrava a melhor escolha para quem, além de procurar estabilidade, era extremamente pragmático e se sentia atraído pelas ciências justamente pelo seu lado experimental. Desta forma, a escolha da área das ciências, apesar de não ter sido fácil, dá-se.

E assim, enquanto Rómulo de Carvalho estuda Ciências Físico-Químicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, as palavras ficam guardadas para quando, mais tarde, surgir alguém que dará pelo nome de António Gedeão.

Em 1932, um ano depois de se ter licenciado, forma-se em ciências pedagógicas na faculdade de letras da cidade invicta, prenunciando assim qual será a sua actividade principal daí para a frente e durante 40 anos - professor e pedagogo.

Começando por estagiar no Liceu Pedro Nunes e ensinar durante 14 anos no Liceu Camões, Rómulo de Carvalho é, depois, convidado a ir leccionar para o liceu D. João III, em Coimbra, permanecendo aí até, passados oito anos, regressar a Lisboa, convidado para professor metodólogo do grupo de Físico-Químicas do Liceu Pedro Nunes.

Exigente, comunicador por excelência, para Rómulo de Carvalho ensinar era uma paixão. Tal como afirmava sem hesitar, ser Professor tem de ser uma paixão - pode ser uma paixão fria mas tem de ser uma paixão. Uma dedicação. E assim, além da colaboração como co-director da "Gazeta de Física" a partir de 1946, concentra, durante muitos anos, os seus esforços no ensino, dedicando-se, inclusive, à elaboração de compêndios escolares, inovadores pelo grafismo e forma de abordar matérias tão complexas como a física e a química. Dedicação estendida, a partir de 1952, à difusão científica a um nível mais amplo através da colecção Ciência Para Gente Nova e muitos outros títulos, entre os quais Física para o Povo, cujas edições acompanham os leigos interessados pela ciência até meados da década de 1970. A divulgação científica surge como puro prazer - agrada-lhe comunicar, por escrito e com um carácter mais amplo, aquilo que, enquanto professor, comunicava pela palavra.

A dedicação à ciência e à sua divulgação e história não fica por aqui, sendo uma constante durante toda a sua a vida. De facto, Rómulo de Carvalho não parou de trabalhar até ao fim dos seus dias, deixando, inclusive trabalhos concluídos, mas por publicar, que por certo vêm engrandecer, ainda mais, a sua extensa obra científica.

Apesar da intensa actividade científica, Rómulo de Carvalho não esquece a arte das palavras e continua, sempre, a escrever poesia. Porém, não a considerando de qualidade e pensando que nunca será útil a ninguém, nunca tenta publicá-la, preferindo destruí-la.

Só em 1956, após ter participado num concurso de poesia de que tomou conhecimento no jornal, publica, aos 50 anos, o primeiro livro de poemas Movimento Perpétuo. No entanto, o livro surge como tendo sido escrito por outro, António Gedeão, e o professor de física e química, Rómulo de Carvalho, permanece no anonimato a que se votou.

O livro é bem recebido pela crítica e António Gedeão continua a publicar poesia, aventurando-se, anos mais tarde, no teatro e,depois, no ensaio e na ficção.

A obra de Gedeão é um enigma para os críticos, pois além de surgir, estranhamente, só quando o seu autor tem 50 anos de idade, não se enquadra claramente em qualquer movimento literário. Contudo o seu enquadramento geracional leva-o a preocupar-se com os problemas comuns da sociedade portuguesa, da época.

Nos seus poemas dá-se uma simbiose perfeita entre a ciência e a poesia, a vida e o sonho, a lucidez e a esperança. Aí reside a sua originalidade, difícil de catalogar, originada por uma vida em que sempre coexistiram dois interesses totalmente distintos, mas que, para Rómulo de Carvalho e para o seu "amigo" Gedeão, provinham da mesma fonte e completavam-se mutuamente.

A poesia de Gedeão é, realmente, comunicativa e marca toda uma geração que, reprimida por um regime ditatorial e atormentada por uma guerra, cujo fim não se adivinhava, se sentia profundamente tocada pelos valores expressos pelo poeta e assim se atrevia a acreditar que, através do sonho, era possível encontrar o caminho para a liberdade. É deste modo que "Pedra Filosofal", musicada por Manuel Freire, se torna num hino à liberdade e ao sonho.E, mais tarde, em 1972, José Nisa compõe doze músicas com base em poemas de Gedeão e produz o álbum "Fala do Homem Nascido".

O professor Rómulo de Carvalho, entretanto, após 40 anos de ensino,em 1974, motivado em parte pela desorganização e falta de autoridade que depois do 25 de Abril tomou conta do ensino em Portugal, decide reformar-se. Exigente e rigoroso, não se conforma com a situação. Nessa altura é convidado para leccionar na Universidade mas declina o convite.

Incapaz de ficar parado, nos anos seguintes dedica-se por inteiro à investigação publicando numerosos livros, tanto de divulgação científica, como de história da ciência. Gedeão também continua a sonhar, mas o fim aproxima-se e o desejo da morrer determina, em 1984, a publicação de Poemas Póstumos.

Em 1990, já com 83 anos, Rómulo de Carvalho assume a direcção do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa, sete anos depois de se ter tornado sócio correspondente da Academia de Ciências, função que desempenhará até ao fim dos seus dias.

Quando completa 90 anos de idade, a sua vida é alvo de uma homenagem a nível nacional. O professor, investigador, pedagogo e historiador da ciência, bem como o poeta, é reconhecido publicamente por personalidades da política, da ciência, das letras e da música.

Infelizmente, a 19 de Fevereiro de 1997 a morte leva-nos Rómulo de Carvalho. Gedeão, esse já tinha morrido alguns anos antes, aquando da publicação de Poemas Póstumos e Novos Poemas Póstumos.

Avesso a mostrar-se, recolhido, discreto, muito calmo, mas ao mesmo tempo algo distante, homem de saberes múltiplos e de humor subtil, Rómulo de Carvalho que nunca teve pressa, mas em vida tanto fez, deixa, em morte, uma saudade imensa da parte de todos quantos o conheceram e à sua obra.

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Tertúlia da SCT 2009 - VI

Como está quase a terminar a Semana da Ciência e Tecnologia de 2009, não podíamos deixar de recordar o mais famoso poema de Gedeão, imortalizado no saudoso programa Zip-Zip por Manuel Freire, aqui num filme muito interessante retirado do YouTube.



Pedra filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
É tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral
pináculo de catedral
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo de Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Columbina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

in Movimento Perpétuo, António Gedeão (1956)

PowerPoint sobre Rochas

Aqui fica, como prometido, o PowerPoint sobre as Rochas:

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Tertúlia da SCT 2009 - V


Mais um poema de António Gedeão profusamente cantado (só tenho pena de não encontrar a versão de Manuel Freire...):


Poema da malta das naus

Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.

Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo.
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.

Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das prais
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.

Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me a gengivas,
apodreci de escorbuto.

Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.

Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.

Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.

Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.

O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.



in Teatro do Mundo - António Gedeão (1958)

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Tertúlia SCT - IV



Mais um poema de António Gedeão, magistralmente cantado por Adriano Correia de Oliveira e com música de José Niza:




Fala do Homem nascido


Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci

Trago boca para comer
e olhos para desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr

Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada

Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham

Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu

Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
com rumo à estrela polar

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Tertúlia SCT 2009 - III

DARWIN CANTADO NA RUA




Philadelphia street performer Brett Keyser brings evolution to the people